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Identificando fatores que causam acidentes de trabalho

Entenda os fatores acidentes trabalho, os riscos ocupacionais mais comuns e as medidas de prevenção para fortalecer a conformidade legal.

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Renan nunes Corrêa
Renan nunes Corrêa

SSMA Gestão Estratégica

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Atualizado

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18 min

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Trabalhador com capacete de segurança olhando para a câmera em um canteiro de obras.

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Acidentes de trabalho raramente decorrem de uma causa isolada. Identificar os fatores envolvidos ajuda a empresa a priorizar controles, proteger equipes e demonstrar conformidade legal.

Resposta rápida

Os fatores que causam acidentes de trabalho incluem condições físicas, químicas e biológicas, falhas de máquinas, organização inadequada das atividades e aspectos ergonômicos e psicossociais. A prevenção começa pelo reconhecimento dos perigos, pela avaliação da exposição e pela adoção de controles compatíveis com cada operação. No Brasil, o gerenciamento deve ser integrado às exigências das Normas Regulamentadoras, especialmente ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais da NR-1, em conjunto com avaliações previstas em normas específicas. Treinamento, manutenção, proteção coletiva, EPI adequado e acompanhamento contínuo transformam o diagnóstico em controle efetivo.

Resumo

  • Acidentes resultam da interação entre perigos, exposição, falhas de controle e comportamento organizacional.
  • Máquinas, quedas, eletricidade, agentes físicos, químicos e biológicos exigem avaliação específica.
  • Jornadas exaustivas, pressão por produtividade e pausas insuficientes também alteram o risco.
  • A prevenção deve combinar PGR, controles de engenharia, procedimentos, capacitação e EPI.
  • Registros, inspeções e revisão dos controles sustentam a conformidade legal e a melhoria contínua.
Grupo de trabalhadores usando equipamentos de proteção individual (EPIs) em uma fábrica.

O que são acidentes de trabalho?

Acidente de trabalho é o evento relacionado à atividade profissional que provoca lesão, alteração funcional ou dano à saúde do trabalhador, podendo ocorrer de forma imediata ou como consequência de uma exposição. Para a gestão preventiva, o conceito deve ser analisado junto aos perigos existentes, às pessoas expostas e aos controles adotados.

Na rotina empresarial, o acidente não deve ser tratado apenas como um acontecimento súbito ou como resultado de uma suposta falha individual. Uma queda, uma queimadura, uma colisão ou uma lesão durante a operação de uma máquina são manifestações de um sistema que precisa ser examinado. É necessário verificar o estado do equipamento, o método de trabalho, o treinamento, a supervisão, o ambiente e as condições em que a tarefa foi executada.

Riscos ocupacionais são situações ou condições no ambiente de trabalho que podem causar danos à saúde ou à integridade física dos trabalhadores. A diferença entre perigo e acidente está na materialização do dano. O perigo pode existir sem que haja ocorrência, mas a ausência de evento não prova que o controle seja adequado. Inspeções e avaliações devem procurar sinais de exposição antes que uma ocorrência revele a fragilidade do processo.

A legislação brasileira estabelece diretrizes para que as empresas minimizem e controlem riscos ocupacionais por meio das Normas Regulamentadoras. A NR-1, dedicada às disposições gerais e ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, funciona como base da gestão preventiva. A NR-9 trata da avaliação e do controle das exposições ocupacionais, enquanto normas específicas complementam a análise conforme o setor, a atividade e o agente presente.

A empresa deve registrar ocorrências, quase acidentes, desvios e evidências observadas em campo. Essa prática permite identificar tendências, revisar procedimentos e direcionar recursos. Uma investigação tecnicamente útil não busca culpados; busca causas imediatas, fatores contribuintes e falhas latentes que possam ser corrigidas antes de uma nova ocorrência.

Mão de trabalhador segurando uma ferramenta com luva de proteção.

Quais são os fatores que causam acidentes de trabalho?

Os acidentes de trabalho são causados pela combinação de perigos e condições de exposição, falhas de controle, características da tarefa e decisões organizacionais. Os fatores podem ser físicos, químicos, biológicos ou relacionados à forma como o trabalho é planejado, executado e supervisionado.

Fatores físicos

Os fatores físicos abrangem ruído, vibração, calor, frio, umidade, radiações e iluminação inadequada. Riscos físicos são fatores ambientais capazes de causar danos à saúde dos trabalhadores. Em uma operação industrial, por exemplo, a exposição pode ocorrer simultaneamente ao ruído de máquinas, à vibração de ferramentas e à circulação por áreas com obstáculos ou pouca visibilidade.

A exposição a níveis elevados de ruído pode provocar perda auditiva e estresse. Equipamentos que vibram podem contribuir para lesões musculoesqueléticas. Já o trabalho em condições extremas de calor ou frio pode levar a doenças ocupacionais. Radiações ionizantes ou não ionizantes também exigem avaliação, delimitação de áreas, procedimentos e medidas de proteção compatíveis com a fonte.

A análise não deve considerar somente a existência do agente. É preciso observar intensidade, duração, frequência, vias de exposição, grupos expostos e controles existentes. Medidas de engenharia, manutenção, isolamento, enclausuramento, ventilação e organização das tarefas normalmente devem ser priorizadas antes da dependência exclusiva do EPI.

Fatores químicos

Riscos químicos são provocados pela exposição a substâncias perigosas durante recebimento, armazenamento, transferência, mistura, aplicação, limpeza ou descarte. A exposição pode ocorrer por inalação, contato com a pele ou ingestão acidental. Mesmo quando o produto é utilizado em pequena quantidade, uma falha de rotulagem, contenção ou ventilação pode criar condição insegura.

A inalação de gases como monóxido de carbono pode causar intoxicação. Poeiras e fumos, quando inalados, podem contribuir para doenças respiratórias. A manipulação de ácidos e solventes pode provocar queimaduras e intoxicações. Por isso, a gestão precisa relacionar inventário de produtos, informações de segurança, compatibilidade química, armazenamento, sinalização, resposta a emergências e capacitação dos trabalhadores.

O controle deve começar pela possibilidade de substituição ou redução do agente e avançar para sistemas fechados, exaustão local, barreiras, procedimentos e higiene ocupacional. O EPI complementa a proteção, mas não corrige sozinho uma fonte de emissão mal controlada. A avaliação também deve contemplar trabalhadores da limpeza, manutenção e emergência, que muitas vezes entram em contato com resíduos ou atmosferas não previstas na rotina.

Fatores biológicos

Riscos biológicos envolvem a exposição a microrganismos que podem causar doenças. Bactérias podem provocar infecções graves, vírus como os da gripe ou da COVID-19 podem ser transmitidos em determinadas condições e fungos podem causar alergias e infecções. O risco varia conforme a atividade, a possibilidade de contato, a concentração do agente e a eficácia das medidas de higiene e contenção.

Em serviços de saúde, laboratórios, coleta de resíduos, atendimento ao público e atividades de campo, a prevenção deve considerar contato com pessoas, materiais, superfícies, fluidos e animais. A NR-32 concentra requisitos de segurança e saúde para trabalhadores de serviços de saúde, com atenção aos riscos biológicos e a outros perigos específicos desse ambiente.

Controles efetivos incluem higiene das mãos, limpeza, desinfecção, descarte adequado, barreiras físicas, ventilação, vacinação quando aplicável, treinamento e resposta a exposições acidentais. A empresa deve definir fluxos claros para comunicação, atendimento e investigação. A percepção de que determinado agente é comum não elimina a necessidade de controle.

Organização do trabalho

A organização do trabalho influencia diretamente a probabilidade de erro, omissão e exposição. Jornadas exaustivas, poucas pausas e pressão por produtividade podem comprometer o tempo de reação dos motoristas, conforme nota técnica publicada pelo Governo da Bahia. Esses elementos não são abstratos: alteram a capacidade de perceber obstáculos, cumprir procedimentos e responder a mudanças no ambiente.

No recorte de motoristas de caminhão, condições de trabalho foram a principal circunstância motivadora, responsável por 14% das notificações entre 2010 e 2024. No mesmo recorte, impacto por objetos lançados ou em queda correspondeu a 7,8% e traumatismos em acidentes de transporte sem colisão, a 6,9%. Os números mostram por que a gestão precisa analisar a tarefa real, e não apenas o procedimento escrito.

A organização deve considerar dimensionamento de equipes, pausas, metas, comunicação, autonomia para interromper uma atividade insegura, qualificação, manutenção e compatibilidade entre ritmo e capacidade operacional. A nota técnica do Governo da Bahia também relaciona plataformas digitais de transporte a fatores físicos, químicos, biomecânicos, de acidentes, organizacionais e psicossociais, destacando que a falta de transparência algorítmica amplia a imprevisibilidade.

A SSMA Gestão Estratégica entende que a prevenção precisa conectar avaliação técnica, rotina operacional e decisão gerencial. O PGR, os treinamentos, as inspeções e os laudos devem conversar entre si, para que a empresa não trate cada risco como um documento isolado.

Representação visual de risco físico com símbolo de perigo em ambiente industrial.

Quais são os riscos ocupacionais físicos?

Ruído e vibração

são frequentemente percebidos como parte normal da operação, sobretudo em oficinas, canteiros, fábricas, transportes e atividades com ferramentas motorizadas. Essa naturalização é perigosa. A exposição a níveis elevados de ruído pode causar perda auditiva e estresse, enquanto equipamentos que vibram podem provocar lesões musculoesqueléticas.

A avaliação deve observar a fonte, o caminho de propagação e o trabalhador exposto. Enclausuramento, isolamento, manutenção, redução do tempo de exposição e escolha adequada de equipamentos são controles importantes. Em relação à vibração, o projeto da ferramenta, a conservação, a empunhadura, a postura e as pausas influenciam a carga sobre o corpo.

O protetor auditivo pode ser necessário, mas seu uso deve estar associado à seleção correta, ao ajuste, à conservação e ao acompanhamento. A empresa também precisa verificar se o EPI interfere na comunicação, na percepção de alarmes ou na execução segura da tarefa.

Temperatura e umidade

Calor, frio e umidade alteram o conforto, a atenção e a capacidade física. Trabalhar em condições extremas de calor ou frio pode levar a doenças ocupacionais. Em áreas externas, câmaras frias, cozinhas industriais, fundições e operações com fontes térmicas, a exposição pode variar ao longo do turno e entre diferentes postos.

A prevenção combina avaliação do ambiente, ventilação ou isolamento, pausas em local adequado, hidratação quando aplicável, vestimentas compatíveis e organização da tarefa. O planejamento deve prever aclimatação, manutenção dos sistemas e orientação para reconhecer sinais de mal-estar. Não basta disponibilizar um recurso; é necessário verificar se ele está acessível e se o procedimento é praticável na rotina.

A umidade também merece atenção porque pode agravar desconforto, deteriorar materiais, favorecer escorregões ou contribuir para condições insalubres. A resposta deve considerar o processo completo, incluindo drenagem, limpeza, piso, manutenção e circulação.

Iluminação inadequada

A iluminação inadequada dificulta a identificação de obstáculos, desníveis, sinalizações, ferramentas e partes móveis. Publicação técnica do setor da construção aponta que essa condição pode aumentar a probabilidade de acidentes. Materiais técnicos também relacionam baixa qualidade luminosa a quedas no mesmo nível, quedas em diferente nível, pancadas contra objetos e fadiga ocular.

A NR-17 determina que todos os locais e situações de trabalho tenham iluminação natural ou artificial, geral ou suplementar, apropriada à natureza da atividade. A norma exige que a iluminação seja projetada e instalada para evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos. Em ambientes internos, os níveis mínimos de iluminamento devem atender à NHO 11 da Fundacentro.

O diagnóstico deve observar o posto real, não apenas a existência de luminárias. Reflexos em telas, sombras sobre a área de trabalho e contraste excessivo entre monitor e fundo podem reduzir a percepção. A correção pode envolver reposicionamento, manutenção, limpeza, proteção contra ofuscamento e iluminação suplementar. Depois da intervenção, a empresa deve verificar se o resultado atende à atividade e se não criou outro incômodo visual.

Diagrama mostrando diferentes tipos de riscos ocupacionais em um ambiente de trabalho.

Outros grupos de riscos ocupacionais

Riscos mecânicos

ou de acidente estão relacionados à possibilidade de eventos inesperados que causem lesões. Quedas, escorregões, quedas de altura, choques elétricos, contato com partes móveis e colisões envolvendo veículos ou maquinário pesado são exemplos que exigem avaliação operacional e não apenas orientação genérica.

Entre as causas externas específicas notificadas no Brasil, destacam-se impactos de objetos lançados, projetados ou em queda, objetos cortantes ou penetrantes e quedas no mesmo nível por escorregão, tropeço ou passo em falso, conforme levantamento divulgado em 2026. Na prática, a prevenção passa por proteção de máquinas, bloqueio e etiquetagem quando aplicável, guarda-corpos, organização, sinalização, inspeção elétrica, segregação de tráfego e manutenção.

A operação de máquinas e equipamentos foi a principal causa no histórico analisado de 2012 a 2024, com 13,6% do total. Além disso, amputações e lesões gravíssimas ocorreram com frequência 15 vezes maior nessa causa do que nas demais. Esse dado reforça que permissões, capacitação e proteções físicas precisam ser tratados como elementos críticos do sistema.

O procedimento deve refletir a forma como o trabalho realmente acontece. Se o trabalhador remove uma proteção para ganhar velocidade, a gestão deve investigar o motivo, corrigir o projeto ou o método e acompanhar a adesão. Apenas advertir a pessoa tende a manter a causa estrutural.

Riscos ergonômicos

estão relacionados ao design do ambiente de trabalho e à forma como ele interage com o corpo humano. Posturas desconfortáveis podem causar dores e lesões musculoesqueléticas; movimentos repetitivos podem levar a distúrbios como LER e DORT; levantamento de peso ou aplicação de força podem causar lesões.

A avaliação ergonômica deve considerar ritmo, repetição, força, postura, alcance, mobiliário, ferramentas, pausas e variação das tarefas. Também é importante ouvir quem executa o trabalho, pois o trabalhador identifica adaptações, improvisos e dificuldades que nem sempre aparecem em uma inspeção breve. A NR-17 aborda as condições necessárias para conforto, saúde e segurança, oferecendo referência para a análise das situações de trabalho.

Medidas preventivas podem incluir ajuste de altura, redução de força, auxílio mecânico, reorganização do layout, alternância de atividades e melhoria do método. O objetivo não é apenas reduzir desconforto no momento, mas evitar que a exposição acumulada produza adoecimento e afastamentos. A eficácia precisa ser verificada depois da mudança, com observação do posto e acompanhamento dos sinais relatados.

Riscos psicossociais

surgem da interação entre organização, conteúdo, relações e condições do trabalho. Pressão excessiva, baixa autonomia, comunicação deficiente, assédio, conflitos, metas incompatíveis e falta de pausas podem favorecer estresse, perda de atenção, decisões apressadas e adoecimento. Em atividades de direção, a combinação entre jornada exaustiva e pressão por produtividade compromete o tempo de reação, como registra o Governo da Bahia.

A análise deve ser conduzida com método e confidencialidade, sem transformar sofrimento em falha individual. Entrevistas, observação, indicadores de afastamento, rotatividade, incidentes e queixas podem compor o diagnóstico. A organização precisa examinar se o desenho da tarefa exige disponibilidade contínua, se há suporte da liderança e se o trabalhador pode comunicar uma condição insegura sem receio de retaliação.

A prevenção envolve dimensionar demandas, estabelecer pausas, melhorar a previsibilidade, treinar lideranças, definir canais de comunicação e agir sobre conflitos. Medidas de saúde individual podem complementar, mas não substituem mudanças na organização quando a fonte do risco está no modo de gestão.

Trabalhadores participando de um treinamento de segurança em uma sala de reunião.

Como prevenir acidentes de trabalho?

A prevenção eficaz combina identificação de perigos, avaliação de riscos, controles na fonte, capacitação, participação dos trabalhadores e verificação contínua. O EPI é indispensável quando indicado, mas deve integrar uma hierarquia de controles e não funcionar como única resposta da empresa.

Treinamento e conscientização

Treinamento não é mera formalidade documental. Deve preparar o trabalhador para reconhecer perigos, operar equipamentos, cumprir procedimentos, usar proteções, responder a emergências e interromper uma tarefa quando houver condição insegura. O conteúdo precisa dialogar com a atividade real, utilizar linguagem compreensível e incluir situações práticas quando o risco exigir habilidade operacional.

A capacitação deve ser atualizada quando houver mudança de processo, equipamento, produto, equipe ou procedimento. Registros de presença, avaliação de compreensão e observação em campo ajudam a demonstrar que a informação foi transmitida e assimilada. Diálogos de segurança podem reforçar pontos críticos, mas não substituem formação estruturada nem controles de engenharia.

A conscientização também depende da liderança. Quando a supervisão tolera a retirada de uma proteção ou premia a velocidade acima da segurança, a mensagem prática contradiz o treinamento. A cultura preventiva se consolida quando metas, recursos e decisões reconhecem o direito de trabalhar com segurança.

Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)

O EPI deve ser selecionado a partir dos perigos e da exposição identificados. Proteção auditiva, respiratória, ocular, facial, para mãos, pés, corpo ou trabalho em altura tem finalidade específica, e a escolha precisa considerar compatibilidade, ajuste, conforto, conservação e limitações. Um equipamento inadequado pode criar falsa sensação de segurança ou dificultar a execução da tarefa.

A empresa deve orientar, fornecer, substituir quando necessário, fiscalizar o uso e manter condições de higienização e armazenamento. O trabalhador precisa entender contra qual risco o equipamento protege, como colocá-lo, como verificar sua integridade e quando comunicar defeitos. Treinamento prático é especialmente importante em situações nas quais o ajuste determina a eficácia.

Antes do EPI, a empresa deve avaliar alternativas coletivas e controles na fonte. Enclausurar uma máquina, instalar exaustão, melhorar uma barreira ou reorganizar o fluxo pode proteger mais pessoas e reduzir a dependência de comportamento individual. O PGR deve registrar a lógica da escolha e a forma de acompanhamento.

Melhoria das condições de trabalho

Melhorar as condições de trabalho significa agir sobre ambiente, máquinas, processos e organização. Isso inclui manutenção preventiva, proteção de partes móveis, adequação elétrica, pisos seguros, iluminação compatível, ventilação, controle de agentes, ergonomia, sinalização, rotas de circulação e planejamento de emergências. Cada medida deve estar vinculada a um perigo reconhecido e a um responsável por sua implementação.

A NR-15 define atividades e operações insalubres, enquanto a NR-17 trata de ergonomia. Em serviços de saúde, a NR-32 direciona a proteção contra riscos biológicos e outros perigos específicos. A conformidade exige interpretar a norma aplicável junto às características da operação, evitando copiar procedimentos que não controlam o risco real.

O ciclo de melhoria inclui identificar, avaliar, priorizar, implementar, verificar e revisar. Inspeções devem produzir ações com responsável e prazo definidos, sem transformar a lista em arquivo inerte. Indicadores de incidentes, quase acidentes, exposições, treinamentos e pendências ajudam a orientar decisões, mas não substituem a observação qualitativa do trabalho.

A subnotificação, a falta de padronização na extração de dados e a ausência de sistema unificado dificultam mensurar a quantidade real de acidentes no Brasil, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Por isso, a empresa deve manter seus próprios registros consistentes e estimular a comunicação de ocorrências sem punição automática.

Para transformar diagnóstico em conformidade, o próximo passo é revisar o inventário de riscos, conferir se o plano de ação contempla os grupos expostos e validar os controles no campo. A SSMA Gestão Estratégica oferece elaboração de PGR, LTCAT, avaliações ocupacionais, laudos técnicos, inspeções de máquinas e treinamentos práticos, com atendimento presencial e online em soluções personalizadas para cada cliente.

  • reduzir acidentes em máquinas e equipamentos → priorize análise de risco, proteções físicas, manutenção, bloqueio de energias, capacitação e inspeção em campo.
  • atender às exigências de gerenciamento de riscos ocupacionais → revise o PGR, conecte o inventário ao plano de ação e valide os controles com os trabalhadores.
  • controlar exposição a ruído, vibração, calor ou agentes químicos → faça avaliação ocupacional, atue na fonte e complemente a proteção com EPI adequado e acompanhamento.
  • reduzir acidentes relacionados à organização do trabalho → avalie jornadas, pausas, metas, dimensionamento, comunicação e autonomia para interromper tarefas inseguras.
  • Empresa que precisa organizar a gestão de riscos: Estruture ou revise o PGR com inventário, avaliação, plano de ação e evidências de acompanhamento.
  • Operação com máquinas, agentes ou exposição relevante: Combine avaliações ocupacionais, laudos técnicos, inspeções e controles de engenharia antes de definir o EPI.
  • Empresa com ocorrências recorrentes ou baixa qualidade de registros: Padronize a comunicação de incidentes, investigue causas sistêmicas e use os resultados para revisar processos e treinamentos.

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Perguntas frequentes

Qual é a principal causa de acidentes de trabalho?

A causa varia conforme o setor e a atividade. No histórico analisado, máquinas e equipamentos foram a principal causa, com 13,6% dos acidentes e frequência 15 vezes maior de lesões gravíssimas em comparação com outras causas. A empresa deve analisar seus próprios dados e condições operacionais.

Quais são os principais fatores de acidentes de trabalho?

Os principais grupos são fatores físicos, químicos, biológicos, mecânicos, ergonômicos, psicossociais e organizacionais. Eles podem atuar juntos, como ocorre quando uma jornada exaustiva se combina com ruído, baixa iluminação e operação de equipamento.

O que são riscos ocupacionais?

São situações ou condições presentes no ambiente de trabalho que podem causar danos à saúde ou à integridade física dos trabalhadores. A identificação deve considerar perigo, exposição, pessoas envolvidas e controles existentes.

Qual norma trata do gerenciamento de riscos ocupacionais?

A NR-1 estabelece as disposições gerais e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Ela deve ser aplicada em conjunto com normas específicas, como a NR-9 para exposições, a NR-15 para insalubridade e a NR-17 para ergonomia.

O EPI sozinho evita acidentes?

Não. O EPI é uma medida importante quando indicado, mas deve complementar controles na fonte, medidas coletivas, procedimentos, manutenção, treinamento e organização adequada do trabalho. A proteção precisa ser compatível com o risco e acompanhada pela empresa.

Como a iluminação inadequada contribui para acidentes?

Ela pode dificultar a visualização de obstáculos, desníveis, ferramentas, sinalizações e partes móveis. A NR-17 exige iluminação apropriada à atividade e orienta evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos.

Como prevenir acidentes com máquinas?

A prevenção envolve análise de risco, proteções físicas, manutenção, procedimentos, capacitação, bloqueio de energias quando aplicável, inspeções e supervisão. A remoção de uma proteção deve ser tratada como sinal de falha do sistema, não apenas como desvio individual.

Por que a organização do trabalho influencia os acidentes?

Jornadas exaustivas, poucas pausas, pressão por produtividade, baixa autonomia e comunicação deficiente podem reduzir atenção e tempo de reação. A prevenção deve agir também sobre metas, pausas, dimensionamento, suporte da liderança e possibilidade de interromper uma atividade insegura.

Glossário

Acidente de trabalho
Evento relacionado ao trabalho que causa lesão, alteração funcional ou dano à saúde do trabalhador.
Perigo
Fonte, situação ou condição com potencial de causar dano.
Risco ocupacional
Possibilidade de dano associada a um perigo e à exposição de trabalhadores.
PGR
Programa de Gerenciamento de Riscos que organiza a identificação, avaliação e controle dos riscos ocupacionais.
EPI
Equipamento destinado à proteção individual contra riscos específicos da atividade.
LER/DORT
Distúrbios relacionados a lesões ou sobrecarga decorrentes, entre outros fatores, de movimentos repetitivos e exigências ergonômicas.
Renan nunes Corrêa

Escrito por

Renan nunes Corrêa

SSMA Gestão Estratégica

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